Não, ela não era poética, nem sensual, nem linda, nem inspiradora, nem se deixava enganar por ninguém.

Não amava, nem era amada, menos ainda odiada, também não passava despercebida porque nunca foi indiferente.

Não tinha facilidades, nem dificuldades, nem grandes talentos, não era vazia, nem cheia…

… Mas pensava além, sonhava, queria mais, ambicionava e, em algumas vezes, conseguia.

Não estava nem lá nem cá, não se passava por ninguém, entretanto não se deixava ser passada. Não ordenava, nem se deixava controlar.

Não estava em sintonia, nem fora dela, não chorava, nem sorria – apenas quando lhe convinha – não se sentia melhor, menos ainda pior, contudo, sentia.

Não despertava desejos nem repulsas, não queria tudo, mas não se contentava com nada. Buscava o além, mas qual além?

Não queria aparecer, desaparecia. Não queria mostrar-se, escondia-se. Não pedia, nem esperava, nem explodia, nem gritava, nem esbravejava, porém ouvia, implodia, abafava gritos e xingos.

Não era paciente, nem impetuosa, nem cautelosa, menos ainda complacente, tampouco resiliente, ainda assim podia compreender o suave-cheiro-amargo-do-mundo-quadrado-dentro-da-redoma-de-vidro-e-poeira. Não obstante, parecia saber como enxergar as dores transparentes do ser humano e captar as ondas escritas com suco de limão n’alma daquele cujo olhava nos olhos. Amiga? Não. Irmã? Não. Mãe? Não.

Ela nem era eu…